Fernando Leme do Prado

”Comunicação não é o que se diz, mas o que o outro entende”. Ouvi, recentemente, do apresentador MarceloTas, esta frase mostrando  preocupação com as dificuldades crescentes em nos fazermos compreender, pois, nos tempos atuais, parece que ninguém mais tem paciência para ouvir. Até as mensagens que chegam pelos aplicativos são avaliadas, inicialmente, pelo tempo que nos tomarão. Vídeos com mais de dois ou três minutos de duração são, geralmente, descartados sumariamente. Temos preferido, até, mensagens de texto que as de voz, uma vez que, para muitos, escrever é mais difícil que falar, assim a mensagem fica mais curta. 

Por que em plena era da Sociedade da Informação está cada vez mais difícil se comunicar, para além da paciência e do excesso de informação? 

Para pensarmos em uma resposta a essa questão temos que considerar que cada um fala, ou ouve, a partir dos seus referenciais que, quase sempre, não são os mesmos. Desse modo quem ouve identifica algumas palavras ou frases no discurso e passa a fazer inferências desconsiderando o teor ou a conclusão do que está sendo dito ou apresentado. Evidentemente há uma quantidade expressiva de pessoas com habilidades didáticas bastante restritas, assim sua incapacidade de se comunicar de forma clara e coerente provoca no interlocutor extrema dificuldade de compreensão ensejando rapidamente um enorme desinteresse.  

Infelizmente ao invés de melhorar sua capacidade de se comunicar de forma precisa, concisa e eficiente, há quem atribua sua deficiência exclusivamente ao despreparo ou incompetência do receptor. Isto se verifica inúmeras vezes nas salas de aula onde o docente, independente de seus conhecimentos, não consegue ser didático, atribuindo suas falhas de comunicação e de aprendizagem aos seus alunos. 

A falta de didática não se verifica apenas nas escolas, mas em todos os processos de comunicação. Quando você não consegue montar alguma coisa seguindo as instruções do manual que acompanha o produto, ou não consegue comprar alguma coisa em um site que se anuncia como simples, rápido e prático, estamos vivenciando essas situações. Se você está à frente de um computador, ou smartphone, do outro lado não está outra pessoa, mas um computador, que só consegue fazer aquilo para o qual foi programado. Assim se seu interlocutor tem limitações, inevitavelmente elas serão atribuídas a você e não ao programador. A máquina não responde por que você não sabe fazer a pergunta. Rigorosamente de acordo com a frase que dá início a esse texto. Não é o que você fala, mas o que o outro, mesmo que seja uma máquina, entende. 

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