Temos assistido uma enxurrada de desinformações sobre o retorno às aulas presenciais. Uma hora pode, em seguida não pode e logo depois pode novamente, até decisão em contrário. Demoramos demais para voltar às atividades escolares regulares na contramão do resto do mundo. Inúmeros estudos demonstraram o baixo risco representado pelas aulas presenciais, sobretudo dos mais novos, quando são respeitados os protocolos sanitários. Tanto no contágio como na proliferação. Ainda mais quando comparados com atividades plenamente aceitas e funcionando sem restrições como o transporte coletivo e os supermercados. 

Entretanto desde que se decidiu, recentemente, pelo retorno às aulas presenciais, ainda que parcialmente, mas já revisto, há um número expressivo de ações contrárias baseadas em apelos muito mais emocionais que científicos. Uma guerra de liminares e cassações de liminares, ameaças de greve e boicotes, deixando mais confusos todos aqueles que estão diretamente envolvidos no processo: escolas, professores, famílias e estudantes. Já não bastasse a enorme insegurança que a própria pandemia nos trás, ainda temos que lidar com a contínua mudança de regras e um volume absurdo de informações e desinformações, da imprensa à internet.

Sem falar, evidentemente, do nefasto uso político que tem servido para debates e campanhas pelos agentes públicos em todas as esferas. Todos se esforçando para ser o responsável pela vacinação, que caminha a passos de tartaruga, como se fosse algo de que se orgulhar.  Apenas para dimensionar: se conseguíssemos vacinar um milhão de pessoas por dia, e estamos muito longe disto, levaríamos mais de trezentos dias para aplicar a primeira dose em todos os brasileiros. 

Neste cenário sombrio o processo educativo reconhecido por todos como fundamental, mas que tem sido classificado com não essencial, navega em mar revolto sem porto seguro à vista. Todas estas idas e vindas só aumentam a confusão e o que mais precisamos é de direcionamento eficiente, com regras claras e criteriosas, que permitam a quem conhece sua realidade tomar decisões sobre a continuidade das atividades escolares regulares. Há um prejuízo educacional progressivo para um número cada vez maior de estudantes, sobretudo os mais vulneráveis e para as séries iniciais, para os quais as atividades remotas não são possíveis ou não fazem sentido. Além disso, a eficiência do trabalho remoto já dá mostras de exaustão e a educação híbrida precisa ser implantada com todos os cuidados, pois não se trata de uma simples adequação entre aulas presenciais e remotas. A Educação Híbrida exige projeto, estrutura e capacitação docente.

Entendo com desejável o retorno das atividades presenciais, dentro dos protocolos sanitários, permitindo que cada instituição o faça dentro da sua realidade, esperando que nossas autoridades tenham o bom senso de respeitar toda a comunidade escolar oferecendo informações estáveis e confiáveis. Pais e estudantes precisam da escola e a escola e os professores dos alunos e suas famílias. Esse convívio social é indispensável ao processo formativo. 

Em um momento tenebroso e paradoxal com tantas pessoas morrendo e outras trabalhando às escondidas quanto menos confusas forem as decisões melhor para todos.

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