Profª Drª Andréa Patapoff Dal Coleto

Este ano, em meio a tantas dificuldades pelo enfrentamento da pandemia Covid-19, com as escolas fechadas e as aprendizagens direcionadas aos ambientes domésticos, o isolamento e as medidas de quarentena viraram o dia a dia das crianças e de seus professores de pernas para o ar. A necessidade de mudanças no cenário educativo frente à condição que a pandemia nos impôs, exige do professor intensificar seus esforços para que o arranjo curricular para a Educação Infantil, tal como disposto nas DCNEI (Diretrizes Curriculares da Educação Infantil) e na BNCC (Base Nacional Comum Curricular), que privilegiam as interações e brincadeiras como eixos estruturantes das práticas pedagógicas, seja coerente com os propósitos de uma educação que valoriza e intensifica o desenvolvimento infantil em todos os seus aspectos: social, afetivo, cognitivo e físico. O impacto da pandemia e, acima de tudo, o período de severo confinamento vivido desde março de 2020, que continua a impedir as escolas de se abrirem totalmente para o aprendizado presencial, faz com que o modelo híbrido ou lended learning — que mescla entre momentos presenciais no espaço da escola e experiências remotas, em ambiente doméstico — seja uma alternativa possível e recomendada para a retomada das aulas, mesmo na Educação Infantil. Por exemplo, o planejamento do formato híbrido pode incluir uma programação dividida com dias alternados (ou seja, experiências presenciais na terça e quinta-feira, e orientações para as famílias desenvolverem com seus filhos remotamente na segunda, quarta e sexta-feira), ou uma programação dividida com semanas alternadas (ou seja, uma semana presencial e a próxima semana remota). Sabemos a importância da criança manter vínculos afetivos com os adultos que participam de sua vida. No ambiente escolar, as emoções e sentimentos demonstram-se mais latentes, ou seja, as emoções e sentimentos são vivenciados em todo e qualquer momento: verificam-se nas relações interpessoais que se estabelecem entre as crianças e professores, e também entre elas. Com a alternância de lugares (escola e ambiente doméstico), se faz necessário pensar em alternativas para aproveitar o tempo de aprendizagem das crianças, que é ininterrupto, mas levando em consideração as especificidades de como a criança aprende. A criança aprende enquanto vive e explora. Aprende e percebe o mundo por inteiro, independentemente do espaço em que interage; ela demonstra o intenso desejo de explorar, investigar, perguntar; e procura por respostas a perguntas sobre pessoas, materiais, eventos e ideias que despertam sua curiosidade. Crianças resolvem problemas que atrapalham seus objetivos; e geram novas estratégias para resolvê-los enquanto brincam; afinal, brincar é um direito legítimo da infância, representando um aspecto crucial do desenvolvimento físico, intelectual e social. A parceria com as famílias é essencial para o apoio ao desenvolvimento e aprendizagem. Agora, mais do que nunca, é importante que famílias e escola trabalhem juntas, como uma equipe que valoriza a educação infantil. Assim, possibilitarão que as experiências de aprendizagem sejam coesas e as crianças sintam-se protegidas e incentivadas a descobrir e inventar novos conhecimentos em ambientes de aprendizagem positivos de forma bidirecional, por meio de uma comunicação positiva e alicerçada na colaboração, flexibilidade, confiança e compreensão. Será necessário haver uma série de considerações ao fazer isso, e os professores terão de organizar seus planos com base nas necessidades e características das famílias. Vale ressaltar que as estratégias de apoio ou acompanhamento às famílias devem ampliar o papel ativo dos pais na aprendizagem dos filhos. No entanto, também é fundamental ter em mente que as famílias enfrentam múltiplas responsabilidades em casa pela manutenção do lar, alimentação, limpeza, cuidados para evitar que o vírus entre em suas casas. Em alguns casos, podem ser afetados ou estar enfrentando situações de adoecimento ou perda de amigos ou familiares, somadas à preocupação e incerteza da situação de emergência, que podem afetar a qualidade do atendimento, especialmente aos menores. Para potencializar o desenvolvimento e a aprendizagem significativa de nossas crianças, é essencial que as equipes escolares construam uma conexão com a família de cada uma delas. Na próxima publicação falaremos especificamente de sugestões para a retomada das atividades. Até lá.

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