Elaborada por Danilo Costa – Diretoria de Educação Internacional

Recentemente entrei em contato com o livro “Teachers Vs Tech? The Case for an Ed Tech Revolution”, de Daisy Christodoulous, ainda não traduzido no Brasil. Publicado em 2020, previamente à pandemia, ele ganhou protagonismo diante do atual debate. As resenhas sobre ele, no geral, foram favoráveis até agora. Uma delas, no conhecido blog de ciências cognitivas Cogscisci, destaca-se a ciência da aprendizagem como a principal fonte para o desenvolvimento das tecnologias voltadas à educação básica. Eu particularmente concordo, pois penso que somente a partir dela podemos validar como, e quanto, a tecnologia contribui ao processo de aprendizagem. Lancemos um exemplo que é parte importante dos nossos processos: a avaliação. Nesta, em que o objetivo é avaliar a aprendizagem, casa bem uma ferramenta verificacionista. Em outra resenha sobre o livro, do portal Schools Week, o tema destacado foi o da expansão da capacidade cognitiva geral do aluno. Segundo pesquisas levantadas no livro, o aumento da capacidade cognitiva do estudante está diretamente relacionada a um aumento das informações assimiladas e, por conseguinte, disponíveis, especificamente, na memória de longo prazo. Pode-se, portanto, concluir que um aumento de repertório dessa memória aumenta a capacidade cognitiva geral do aluno; esta é a correlação. Importante frisar que o incremento da capacidade cognitiva necessita de condições ambientais como a presença do professor, seja ela presencial ou híbrida. Sob a tutela de um bom professor desenvolvemos relações entre fatos e elementos capazes de ligar os pontos lá de trás com as matrizes do presente momento, recrutando a memória de longo prazo do(a) aluno(a). O próximo tema do livro tratado destacado pelas resenhas é o da sobrecarga cognitiva, que, com certeza, é muito atual. O conceito foi desenvolvido por John Sweller, autor que procura investigar a cognição tendo suas limitações como ponto de partida. Os efeitos de uma sobrecarga da cognição são imediatamente reconhecíveis: confusão, perda de concentração, dificuldade na realização de tarefas. As tecnologias são uma resposta eficaz a esse fenômeno. Elas permitem, por exemplo, um controle do volume das informações disponíveis a(o) aluna(o), e, também, a limitações bem definidas da extensão do conteúdo a ser abordado, segundo o professor Silvio Fiscarelli, em texto no blog da Nova Escola. A combinação e a diversificação das novas mídias também tem tudo a ver com a melhora da aprendizagem pela tecnologia. O termo educação híbrida faz bastante sentido aqui, pois ele indica que a aprendizagem não se concentra mais em um só campo, como o presencial. Exemplos de ferramentas tecnológicas não faltam: começando pela videoconferência, por exemplo, hoje no centro da atenção dos educadores. Mas há ferramentas no formato de quiz, de teste cronometrado, de vídeo interativo, de apresentação pura e simples, e de realidade virtual e aumentada, sendo que em algumas dessas ferramentas o(a) aluno(a) consegue manusear de forma mais livre as informações. Há que se explorar essas possibilidades. Elas estão evoluindo rapidamente numa corrida não só tecnológica mas também da informação, ou seja, muitos estão utilizando novas tecnologias que tantos outros ainda nem souberam da existência. A título de conclusão e retomando mais diretamente o livro de Daisy Christodoulos, este nos ajuda a enxergar um horizonte docente mais amplo e suas alavancagens, até então indisponíveis, de conhecimento e aprendizagem que o modelo híbrido possibilitará. Presenciaremos o surgimento de uma série de ferramentas que auxiliarão a gestão pedagógica, promovendo complementaridade entre professor e tecnologia em um desfecho que acredito ter tudo para ser bastante produtivo. Formado em Direito pela FGV-SP, aos 27 anos Danilo Costa inaugurou no país o conceito de escolas low cost em tempo integral, iniciativa que hoje atende a milhares de famílias no estado de São Paulo e já se espalhou para outras regiões brasileiras. Danilo conduziu relevantes investimentos do setor e, hoje, se dedica integralmente a um novo projeto voltado para a educação: o Educbank, Parceiro Fundador da ANEBHI.

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